Tenho todo o gosto em anunciar que hoje inovei. Inovei em Medicina Dentária.
Ora, hoje à tarde faltou a luz numa parte da cidade de Leiria e a clínica onde exerco a minha arte esteve incluída nessa fatídica parte.
Estava eu com com um bracket numa mão e a turbina noutra, e mais abaixo o meu paciente com o ácido no dente quando disparam os alarmes, desligaram-se todas as luzes e computadores e, tá claro... Foi-se a luz. Como diria o Reginaudo: "Cadê ela?" Para ajudar já eram umas cinco horas e já estava escuro na rua pelo que não entrava qualquer raiozinho de sol pelas janelas.
A minha reacção estantânea foi aquela que, certamente todos vocês que me estão a ler, teriam. Obviamente, comecei a cantar os parabéns ao Tomás.
Na esperança de ser apenas uma coisa de 5 minutos, deixei-me tar... Mas não... a EDP disse que ia ser até às 6:30. E já sabem, quando a EDP diz que é até determinada hora, temos de dar os descontos de pelo menos meio dia.
Não havia nada a fazer. Disse ao Tomás que ia pedir que nos segurassem a vela (tudo no maior respeito) e que ia colar a peça assim às escuras. Como antigamente!!!!
Correu tudo lindamente, a clínica parecia uma capela, com velas e lanternas espalhadas pelas várias cadeiras e criou-se ali um ambiente giro, agradável, eu diria até intimista. Porreiro.
E está contado.
Só mais uma questão que me está a atormentar o espírito desde que abri o Facebook há bocadinho... Qual é a necessidade que uma pessoa tem de saber que objecto da casa de banho é?
Isto parece-me complexo. Vejam bem os problemas socias que isto pode trazer. Diz a Joaninha ao Pedro "Ah, o meu pai é um sabonete!" e o Pedro responde "Oh, o meu pai é um chuveiro, toma lá!". Mais discriminação? Mais racismo? É este o mundo que queremos para as nossas crianças? É por estas e por outras que eu no Facebook, só Farmville.
Condicionalismos inerentes a uma existência por vezes descontente. Mas atenção, escrevo existência e não inexistência... Há diferenças ambíguas que não interessam aqui esmiuçar. O fervor de reclamar ou negligenciar o que se tem, esse, mais vale guardá-lo e redireccioná-lo para beber todos os segundos. Tal como bebe uma criança acabada de cair neste mundo.
Há melhor, mas esta dá-me pica e energia. Ideal para dias de Inverno. Principalmente, porque de 26 para 27 fomos os kings and queens da Valada e Reino de Ourém.
Novamente, um circulo começa a desenhar-se. Nova vida, novas caras, novos caminhos. Há novidade na forma de fazer com que o tempo passe um pouco mais suavemente por ela.
Curiosa é a capacidade d'Ela, a vida, em nos fazer encontrar mais que uma vez algo ou alguém. Quase uma prova à nossa seriedade.
No passado agiu-se de certa forma e agora o presente coloca-nos a mesma questão. Dói porque já tinha-mos arrumado a gaveta e fechado a porta desse quarto. E não dói porque estamos vivos e queremos luz.
Ilumina a alma.
Vê que a noite pode ser tão pouco como nós
Neste quarto o tempo é medo e o medo faz-nos sós
Mas eu só sei ver que o tempo já passou e eu fugi
Que aqui está frio demais para me sentir... mas queres ficar?
Afinal há quem brinque. Há quem tenha vontade de rir. E há até quem ria. Sinceramente, não entendo. Dualidade de uma personalidade que sempre que se espera compreender não se compreende. Quando julgamos ver o fundo do oceano percebemos que este oceano é profundo e quando mais profundo mais turvo se torna. Como alguem disse... "É a vida". O melhor deve ser mesmo sorrir e continuar. Continuar... dentro daquilo que somos.